Era de inversões

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Nessa era de inversões,
Aprendi a dizer não
Não ao sentimento de culpa por desilusões,
Não ao sentimento de frustração por dar fôlego às paixões

Não.

Nessa era de inversões e corações partidos
É justo se sentir mal por ter buscado a própria felicidade?
É como dizem: talvez o inferno esteja no outro,
Em sua essência de não dar valor a beleza dos sentimentos compartilhados

Não.

Não mais se apequene por sentir,
Menos ainda por não saber mentir
Entenda de uma vez que não é sua culpa
O vazio e ego de cada ser que lhe despreza

Somos vítimas dessa era de inversões,
Cuja praxe é que o opressor transfira a culpa pelas suas incapacidades sentimentais
Também é praxe do opressor objetivar sentimentos em prol de um sossego temporal
Então, não. Diga outra vez até acreditar: não!

Não.

Não me sinto culpado pelos amores que senti
Nem pelas dores do que não vivi
Nessa era de inversões, só quem sofre é quem ainda sente
Em outras palavras, quem não mente os sentimentos

Nessa era de inversões,
Inverto a lógica e digo não a esse prenúncio de culpa,
Reflexo da nobreza de ainda ter sentimentos
Não.

Confesso que temo o futuro
Porque nessa era de inversões
Quem ainda sente é sobrevivente
Mas até quando existirá razões para sobreviver?


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