Protagonista

o tempo parece escorregar entre os dedos, será este o maior medo? | foto: pixabay

Pulsava de forma latente, insistente, quase enlouquecedora. Como gritos silenciados, o sentimento estava ali dentro dele, soterrado por inúmeras sensações potencializadas pelo cansaço físico de viver a vida que vinha levando. Mais do que nunca era urgente. Ou mudava, ou ele já não se via neste mundo que já há um tempo lhe parece cinza e hostil.

Havia nele a necessidade de mudança, de mover-se para frente e de se lançar em novos caminhos e desafios, estes, guiados por seus sonhos e crenças que tanto foram silenciadas pela sensação de cansaço e frieza daqueles que regem mundos.

O tempo corria com indiferença. Escorregava entre os seus dedos todos os dias e ele tinha medo era disso. Medo do seu tempo acabar e não ter sentido aquilo que era destinado a sentir: a realização, a felicidade plena e contínua. Nunca fora parte das suas crenças a de que viemos ao mundo para sofrer. Hoje, passada poucas décadas, mais do que nunca conseguia visualizar que a humanidade superestima e romanceia a tristeza e a frustração. Para ele, já não havia sentido em dar continuidade a esse mito para agradar os outros e silenciar-se.

Quem disse que só se aprende errando e com sofrimento? Onde está escrito que viemos para sofrer e não para sorrir e estarmos plenos com os próprios feitos, criações e realizações? Já não havia tempo para sofrer. A inocência e sentimento de conformidade e omissão já não pertencia a essa nova era. Esta nova, é a da realização, da criação deliberada pela felicidade em encontrar-se.

Era urgente, latente. Pulsava para enlouquecer e mover-se. Agora ele já não aceita os lugares que o sistema quer lhe impor e os que tanto lhe roubaram a felicidade. Agora ele precisa jogar contra tudo e todos que estão impedindo o sentimento que precisa existir para querer viver, para o todo fazer sentido. Já não há tempo para romantizar o próprio sofrimento, agora é a hora de viver a vida que acredita ser a que merece. Quem dita as regras? Ele e mais ninguém. É o momento de assumir o protagonismo e a responsabilidade com a própria felicidade e vida.

Com os olhos cheios de sonhos e esperanças, ele aceita que é o protagonista. Sem dar força ao medo, enxerga que o horizonte já não é mais cinza, ele é como as possibilidades de se reencontrar e de ser feliz: infinitas.


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Um novo ano chegou... 
Ótica Cotidiana, ano XIII - 2020: Reinvente, crie, mova-se atrás da própria felicidade

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