Quando amamos


  



Por um tempo pensei que realmente seriamos felizes como nas estórias infantis. Por um tempo acreditar em absolutamente tudo que vinha de você fazia sentido

 Quando amamos fazemos coisas, que em momentos de lucidez, dificilmente faríamos. Começa com uma simples mudança de rotina. Irei pelo caminho para que eu possa me encontrar com o meu amor. Não é assim que pensamos e fazemos? Quantas vezes fazemos o ridículo sem nos darmos conta, até sermos notados? Somos mais carentes e sensíveis do que imaginamos ser e do que queremos acreditar.
Na internet, quem nunca fez um ON/OFF -- entrar e sair do Messenger -- para que àquele alguém visse e viesse cumprimentar? Quem nunca olhou timidamente para a direção do seu amor e ficou a observar e fantasiar, até ser percebido, para então virar bruscamente como se nada tivesse acontecido? Quantas vezes desenhamos corações em folhas de papel, desenhos sem sentidos -- para os que estão de fora -- mas no consciente carregado de sentidos, desejos e de sentimentos. Agimos como outra pessoa, porque de fato nos tornamos outra. Esquecemos conceitos, preconceitos e no auge dos sentimentos agimos em prol do amor.
O frio na barriga, o medo, a incerteza e a insegurança. Fantasiamos, sonhamos, acreditamos. Nos tornamos egoístas em prol do amor e voamos sem nos darmos conta de que precisamos aprender a usar os freios. Quando amamos voamos demais, voamos tanto que nos esquecemos de por os pés no chão para descansar. Mas naquele momento isso não nos vem à cabeça, porque amar é um vício, é natural, nos faz bem, nos transforma.
Somos capazes e fazemos promessas loucas, ilógicas e acreditamos em muitas destas coisas, porque o que sentimos parece ser tão eterno e único, que tudo faz um sentido particular. O coração batendo de maneira rápida e ao mesmo tempo devagar, o frio na barriga, um beijo recebido. Ah... amamos... Amamos tanto que esquecemos o quê esta ao nosso lado, fazemos as coisas mais chatas com um sorriso no rosto. Quem nunca se sentiu bem ao imaginar que há um amor esperando? Quem nunca deitou e desejou ter o seu amor?
Cegos, surdos, mudos, apenas quando convém. Lógicas se dissolvem e se transformam e com o amor não é diferente, e nem poderia mesmo.
Quando tudo termina e as coisas voltam para o lugar, finalmente nos damos conta do quão voamos e do quão ficamos cegos. Foi bom? Excelente. Mas e a perda? O chão se dissolve e tudo parece tedioso. Vem à fase do ‘eu quero ela/ele’,por que você foi me deixar?’, ‘nada mais faz sentido?’. Doces, lágrimas, filmes de romance, casais de mãos dadas são o suficiente para nos fazer chorar e lembrar-nos do que perdemos. Enlouquecemos novamente. Só que agora o sentido é contrário.
Por fim aprendemos que para sermos felizes não basta amar e sermos correspondidos, não basta enlouquecermos e fazermos o ridículo. Aprendemos que para ser feliz é mais do que necessário saber viver as coisas com intensidade ao ponto de que quando tudo mudar, saber ser alquimista e transformar o que foi bom em maravilhosas lembranças, e o que foi ruim em aprendizado. Saber transformar é a verdadeira virtude que precisamos ter ao amar. Usar os freios, quando tem de ser usados. Aprender que para ser feliz como nas estórias infantis, é necessário saber se transformar.
Perdendo -- nunca perdemos nada -- ou ganhando, sabendo transformar. Um egoísta em prol do amor só precisa transformar. Transformações respeitando o próprio tempo e as próprias necessidades. De um jeito ou de outro, não foi e nem será a primeira vez. Vale a pena viver tudo de novo.



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