(in) determinado


Eu queria ser qualquer coisa que não fosse angústia. Rejeito-a como faço com qualquer outro sentimento opressor. Verdadeiramente, queria ter qualquer sentimento que não me oprimisse e me aprisionasse a você. Queria também saber o quê esperar de você exatamente e assim não sofrer com as surpresas e decepções do caminho; queria um sentimento bom de paz, que já não tenho há muito. Como me faz falta esse sentimento bom.
Desejo correr, fugir e me esconder disso que me queima, me aprisiona e transforma o meu humor. Queria evitar esse olhar opaco e distante que transborda em mim nesse processo indeterminado de não saber o quê virá de você. O que virá? Me prometa que mais nada e eu terei paz. Tenho tanto medo. Mas é um medo tão violentado por ações passadas, que já não sei se me imponho a ter medo de algo pior ou se de fato tenho medo do pior. Sinceramente, não sei se estou vivendo o pior ou se já o vivi. Sequer sei se estou vivo. É a mesma lei aplicada à sensação do vazio. Não sei se você me esvaziou ou se quero me sentir vazio, para não ter de me lembrar de você ou das coisas que experimentamos, ou ainda de quanto eu me doei a você e a esse amor. Resultou em algo? É uma intensa indeterminação que resulta nesse estado de angústia e medo.
O sentimento nomeado de amor – sim, àquele que é dado a você – é inútil? Ou é útil para o meu plano de salvação acreditar que ele é ou foi? Mas que plano frágil que não resiste a uma garoa sentimental. Queria me livrar dessa angústia, simplesmente desligar. Queria ser um papel que permitisse o recorte bruto da parte que tem suas marcas. É esse tal medo que eu tenho medo, o quê mais posso esperar? O quê mais pode acontecer? Introspectivo, vago e experimento imaginar que mais nada. Contudo, minha crença é tão frágil quanto os planos de salvação e finalização do amor. É possível finalizar? Minha crença é também violentada por essas idas e vindas; ela, na verdade, está à deriva, por tal dominação. É essa angústia e vazio que disputam espaço com um amor amorfo e que não sabe bem quando irá me deixar. Conto os dias para que ele vá embora ou para que se torne bom e material o bastante para eu experimentá-lo. 







MAIS DE ÓTICA COTIDIANA