Razão dos números (sonho unidimensional) *

| foto: pixabay









Vejo pistas de um tempo
Através do fragmento
Dos meus sonhos despedaçados
Ao longo dos anos

Sonhos que se romperam
À medida que me tornei adulto
Por que é difícil sonhar sendo adulto?
É a tal ‘fé na razão dos números’ e servidão ‘ao racional’?!

Eu espero, só por alguns instantes, enquanto questiono:
É culpa da razão dos números eles estarem despedaçados
Ou é irracionalidade minha me prender a razão?
Ao mesmo tempo, o óbvio bate na minha porta a todo instante

Não parece óbvio que existe um pouco de mágica na vida
Até mesmo quando ela está próxima de recomeçar?
Que esse universo se movimenta de forma misteriosa
E sabemos tão pouco?

Então por que seguir uma razão dos números
Se ela é anos-luz distante da intangível intuição nossa diária?
Daquele sonho unidimensional,
Que vem desde quando realmente sabíamos sonhar?

O cosmos opera,
Somos parte de uma infinidade,
O universo tem sua própria energia, lógicas
E existem muitas outras leis em outros planos e universos

Por que seguir a lei dos humanos,
Se ela é tão opressora?
Por que seguir a lei dos humanos,
Se ela mata tudo em favor da razão dos números,

Em favor do tangível, da acumulação rápida,
Baseada no tempo de vida humana 
E do medo do fim dela?
Da saciedade fácil pelo tangível e pouco duradora?

Por que não entendi isso tudo?
É tão indigesto observar da janela agora
E mais ainda olhar para cima e perceber
Que estamos perdendo vidas em pencas por nada

Hoje vejo pistas do tempo
Mas ele não retornará jamais
Ao mesmo instante, um novo filamento se apresenta
E eu posso então fazer algo novo

Esses fragmentos de sonhos
Pistas de um tempo,
Cujo vislumbre era a realização,
Podem ser o meu guia, quiçá consiga alcançar algo ainda melhor

Eu sigo sonhos passados,
Mas sem a nostalgia de um tempo perfeito
Preciso deles para construir o novo
E recomeçar tantas vezes for necessário

Sigo passos e pistas dos sonhos passados
Porque para que se possa seguir adiante é preciso se realizar
Pelo menos uma vez, oh não!
Todas as vezes, sem exceção ou diminuição

Porque se podemos sonhar,
Podemos ter
E se tivermos,
Recomeçaremos a sonhar,

O universo se expande enquanto estamos presos 
A razão dos números
Enterrando ou ceifando sonhos unidimensionais
Vidas... por tão pouco, pela dura razão dos números

E então percebo que a natureza do cosmo
É movida pelo desejo
E quanto mais desejarmos
E seguirmos para manifestação deles, mais expansão

Novos sonhos em meio a filamentos dos passados
Porque nada é mais motivador do que perceber
Que um dia a realidade vivida

Era um vislumbre, um sonho unidimensional...


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Especial abril:
Antologia Alfa e Ômega

Neste mês de abril, selecionamos textos que abordam o fim, o recomeço, o tempo e a existência humana em meio aos paradoxos do tempo. 




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