Ótica Cotidiana - A crônica singular do cotidiano, por Vinicius Gericó: Adorável ex
O cotidiano é um texto e o texto, um conjunto de riscos

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Adorável ex



Todos os dias relacionamentos começam e terminam e você está sujeito a isso. Porém, quando chega na sua hora de terminar, parece que o mundo acaba. Em seguida, é hora de tratar o/a ex como a pior pessoa do mundo? Se você é esta pessoa, por favor, pare. Você não está fazendo uma coisa boa para você.

Como disse, tudo começa e termina. A vida é feita de ciclos. Veja como o dia termina e começa e tudo parece equilibrado. Encarar ciclos com naturalidade é o primeiro passo para não lançar uma indireta nas redes sociais e nos obrigar a sentir vergonha alheia. É o seguinte: terminou o namoro, casamento? Era bom? Ok, guarde as lembranças boas. A vida não é só isso e mais: a sua vida não é só isso. Se é, você tem que repensá-la. Não transfira a responsabilidade de viver a ninguém.


O maior erro das pessoas é achar que as outras devem estar com elas para o resto da vida ou seguir fielmente as suas normas para mantê-las ao seu lado. Ou é assim, ou não namoramos. Meu relacionamento, minhas regras. Resultado? Relacionamentos possessivos e com pouco sentimento bom de respeito as individualidades. Tem coisa mais insuportável do que uma pessoa que regula a outra o tempo inteiro? Ora, ame e aceite o outro e pronto.

Evidentemente que quem termina uma relação sente o peso da perda, mas o que eu quero dizer é que não adianta viver com rancor e de luto o resto da vida e menos ainda julgar o/a ex por ter deixado você ou por estar vivendo a vida de outra forma e melhor. Não. Não culpe ninguém por sua infelicidade. Você não deve se manter nela e desejar tudo de ruim para uma pessoa só porque sofreu ou porque o relacionamento não deu certo, ao contrário. Por amar tal pessoa, deseje coisas boas. Afinal, tudo que vai, volta. Encerrar bem os ciclos é aceitar a liberdade de escolha do outro e deve-se encarar o novo com entusiasmo, sem medo, dores, rancor ou traumas.


E devo lhes dizer uma coisa, minha experiência com finais de relacionamento eram dolorosas até eu entender o que de fato um término pode significar de bom na vida. No meu caso, quando desfiz a relação que tinha, percebi o quão existem outras coisas e o quão àquela pessoa me fazia infeliz. A infelicidade constante foi embora, após me desvincular totalmente do relacionamento. E, sério, veio uma avalanche de coisas boas. Hoje as pessoas me perguntam: por que está tão feliz? E não tenho um motivo em específico para tal, justamente porque não existe mais motivos para me sentir infeliz. A lei da vida é sermos felizes e tudo de bom chega a nós quando estamos bem.

Sou grato pela pessoa que destruiu minha vida por um tempo apontando todos os meus erros, defeitos, minando minha segurança e autoestima. Hoje percebo que sem ela, não teria construído uma nova tão melhor do que a anterior a ela. E tem outra coisa: sabe quando você troca uma pessoa por outras mil? Realmente é verdade. No momento em que se liberta do que oprime, àquelas pessoas que tentavam se aproximar chegam junto e então você percebe que não vale a pena excluir ninguém que pode te fazer bem por causa de outra pessoa.

Portanto, se abra ao novo. Seja grato pela experiência que teve, por tudo de bom que a pessoa te ofereceu. Se ela te fez mal, perdoe. Siga em frente e veja como sua vida irá mudar depois de se libertar do sentimento que a prendia a outra. A vida não pode ser personificada em uma pessoa.

Procure motivos para ficar feliz e então perceberá que tudo pode ser melhor, inclusive o fim de um relacionamento. O novo é sempre uma oportunidade para ser feliz outra vez e sempre. Consegue entender o que quero dizer? Então ótimo. Agora você já pode livrar-se da amargura que mantém em si e das indiretas e desculpas para se manter infeliz. Você não deve se vitimar ou culpar por nada. Abra a janela, há um universo colorido esperando sua experimentação.



Vinicius Gericó
ola@viniciusgerico.com

Jornalista, Relações Públicas, blogueiro, vegetariano, otimista, cinéfilo e ciclista nas horas vagas; viciado em informação e literatura existencial. Faz piadas com frequência e acha a vida um tanto banal demais para manter viva as experiências ruins.



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