Ótica Cotidiana - A crônica singular do cotidiano, por Vinicius Gericó: Uma carta para os desencontros
O cotidiano é um texto e o texto, um conjunto de riscos
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Uma carta para os desencontros



Estimado Adam,
Estimada Emma,

Estou lendo os últimos capítulos da história de vocês e não posso deixar de registrar a minha felicidade. Sempre torci pelo casal desde que os li pela primeira vez e os imaginei juntos. Engraçado que eu me identifiquei com a vida de vocês desde o começo, mas a minha Emma ainda não conseguiu ver amor em mim. E o meu Adam ainda não consegue perceber que não se pode impor sentimentos a ninguém. O que é uma pena, porque o tempo está passando e não sei se iremos viver esse amor, tal qual vocês vivem hoje.


Mesmo assim, ao ler cada avanço dessa narrativa me vejo no lugar de ambos. Quando sou Adam, entendo que o que recebeu nos últimos capítulos é uma síntese do que todos merecem em vida: o amor verdadeiro. Todos merecem ser amados e aceitos pelo que são. Se o capítulo final vier com a infelicidade, todas essas palavras vão cair por terra, porém, sempre há motivos para crer que tudo mudará para melhor, ainda que fatos indiquem o contrário. Acredito que o casal chegou ao ponto de notar que ambos mereciam o amor do outro e que era possível dar chance ao que sentiam. Assim como acredito merecer o amor da minha Emma.

Mas é claro que entre nós existe o livre arbítrio e não posso obrigar a ninguém a gostar ou me aceitar. Quando sou Emma, vejo que a solução que a vida deu para os personagens dessa história de desencontros me pareceu justa e ao mesmo tempo espontânea. Identifico-me com a sua forma de sentir pelo que acontece ao redor, o que permite o mínimo de segurança para não sofrer.  

No início da história vemos um Adam claramente apaixonado tentando seguir a vida sem Emma. Ela, por sua vez, confusa com os próprios sentimentos e relacionamentos com os outros rapazes. Aos poucos o brilho e a esperança do Adam foram se transformando em dor, a mais intensa e severa que ele imaginou sentir. Morreu, viveu fases de luto e recomeços. Acreditou que já estava seguindo em frente, mas em muitos momentos a crença era a de que vivia um eterno looping de sofrimento. Pior: que não o levaria a lugar algum.

Emma, por outro lado, estava na posição cômoda. Via tudo e não tinha a vida impactada pelos sentimentos ausentes. Viveu relacionamentos em paralelo com Adam e nunca se privou. Somente depois que Adam a deixou para não sofrer que ela permitiu-se ver e conhecer um Adam além de todas as expectativas que criou.

Enfim, meus caros amigos. Sinto empatia grande pela história e romance de vocês. Eu espero que tenham um final feliz. E para mim, um/a mero/a leitor/a que se identificou ora com Adam, ora com Emma, espero que o final da minha história de desencontros seja tão bom quanto à de vocês. Felicidades! Todos merecem ser felizes e viver grandes amores. Se amar e ser amado por quem nos ama é no mínimo a melhor experiência da vida. Acredito que é isso que fica: o amor.

De um/a leitor/a da história de desencontros.



  


Vinicius Gericó
ola@viniciusgerico.com

Jornalista, Relações Públicas, blogueiro, vegetariano, otimista, cinéfilo e ciclista nas horas vagas; viciado em informação e literatura existencial. Faz piadas com frequência e acha a vida um tanto banal demais para manter viva as experiências ruins.



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