Vácuo







À espera de qualquer coisa, ela estava esvaziada,
Diante do apático sorriso dele, que nunca significou preenchimento
Ele também estava vazio, na verdade, ele era o belo do vazio
Embora esvaziados, ambos sentiam-se presos 
O vazio que os separava era também o que os unia

Ela, como uma forasteira, atrás de uma sombra 
Ele, à deriva e de mãos atadas, sem compreender o vazio
O vazio entre eles incomodava, porque havia indeterminação
Contudo, o vazio conseguia ser mais belo do que o sentimento de esvaziados
Porque nessa perda havia a decisão de não sofrer mais

No entanto, o vazio entre eles e o intrínseco já não sabia como se preencher
Por isso a indeterminação os deixava ainda mais esvaziados e angustiados
Porque já não sabiam se se tornariam preenchidos outra vez
Estavam próximos e presos ao vácuo
Entre sentimentos frustrados e amores presentes que deviam ser passado 

 





MAIS DE ÓTICA COTIDIANA