Ótica Cotidiana - A crônica singular do cotidiano, por Vinicius Gericó: Bússola
O cotidiano é um texto e o texto, um conjunto de riscos

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Bússola




Quebrei grandes pedras com as próprias mãos
E os pedaços que restaram ainda são grandes e largos
Caminho por eles em corredores largos disfarçados de paz,
Pareço à deriva num horizonte apático

Navego impacientemente em águas incertas,
Pareço esperar qualquer sinal estabilidade
Parece tão injusto e inútil não saber quem é você, 
Quando você sempre soube tudo de mim

Um sopro seu e a rota muda,
Como acordarei amanhã? Pergunto todas as noites
A imprevisibilidade que um dia excitou
Hoje me deixa em pânico, porque o desejo é por paz

Você é o desejo, um grande truque e não percebo?
Navego à deriva atrás de um desejo, desejos são reais?
As vontades do desejo continuam latentes e previsíveis,
Mas a navegar é cada vez mais incerto

É a indeterminação que nos une e afasta, oprime e liberta,
Se ao menos eu encontrasse a bússola perfeita
Para acabar com o navegar até o tal desejo,
Encontraria a paz em viver comigo mesmo 












Vinicius Gericó
ola@viniciusgerico.com

Jornalista, Relações Públicas, blogueiro, vegetariano, otimista, cinéfilo e ciclista nas horas vagas; viciado em informação e literatura existencial. Faz piadas com frequência e acha a vida um tanto banal demais para manter viva as experiências ruins.



Você NÃO pode copiar, transformar ou criar em cima do conteúdo deste site sem uma prévia autorização do autor ou sem creditá-lo, sujeito às sanções da lei do direito autoral.