Eclipse


Diante dos seus olhos a ausência de algo, provocado por um tipo de eclipse, rouba-lhe atenção. Já não consegue de volta à própria rotina, porque se tornou refém desta parte escondida pelo eclipse. Certamente o que está no lado oculto e escuro pode ser o essencial e precisa da luz. A parte que faz falta dá sinais de nunca ser vista ou encontrada, por isso tende a roubar mais do que a atenção.

O eclipse parece seguir um ritmo próprio, com traços sórdidos. Ora clareia, ora escurece; ora preenche, ora retira. O ritmo segue um tempo que não é necessariamente o solar e as partes ocultas pedem com urgência para se tornarem visíveis. O eclipse converge com o que nunca vem, em forma de grande ilusão provocada pelo movimento dos corpos, ora próximos, ora distantes.

Não se pode conviver com essa sombra ilusória, nem sob outra qualquer, que não dá certeza a existência da luz. Quanto mais a luz estiver ausente, menos chances dos ciclos seguirem o curso saudável. Quanto mais movimentos de ocultar e exibir, mais irá se resumir a incerteza e ao desequilíbrio. O problema não é a existência do eclipse, mas a possibilidade de sua manutenção.


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