Meio-fio urbano: Invisibilidade das relações humanas















O típico dia de sol forte e poucas nuvens revelou no centro urbano movimentado mais uma face das relações humanas. Em meio a passos rápidos, devorados pela própria rotina e percalços, algo chamou à atenção na paisagem banal.

Num ponto de parada de ônibus, com uma multidão a espera pela sua condução tipicamente lotada, avistei um rapaz barbudo. Com uma revista velha embolada em uma das mãos, ele se aproximou desta multidão. Imediatamente abriu-se um círculo em torno dele. As pessoas se afastaram rapidamente, numa tentativa frustrada em se distanciar de forma discreta. A aparência do rapaz indicava sua condição social e de opressão. Suas roupas estavam lascadas e sujas. Algumas pessoas, inclusive, pareciam reclamar do odor exalado por ele. 

No meio da multidão, um cego aproximou-se da faixa de pedestres, ficando por ali aguardando para que os carros parassem ou que alguém o atravessasse. Nenhuma das pessoas que estavam no local se prontificou de imediato para atravessá-lo, até que o suposto morador de rua se prontificou. O cego aceitou a ajuda do rapaz e ele o atravessou. Em seguida  retornou à brigada de ônibus a espera de alguma coisa que talvez nem ele soubesse. 

Diante de tamanha realidade que vi, só pude constatar que às vezes poderíamos usar os nossos olhos, para ver além do que eles nos influenciam em ver. 

CINEMA

Dogville  
Direção: Lars Von Trier
Ano: 2003
Hoje, às 18:45 no Telecine Cult

Por que assistir?
Porque é um filme que revela faces do comportamento humano e do convívio social. Uma lição densa e necessária. Vale muito a pena ver. Em outra oportunidade quero discutir aspectos relevantes deste clássico de Lars Von Trier. 

Comentários

  1. Oi Vinicius
    Belo texto! O preconceito é algo muito comum infelizmente, se não nos policiarmos acaba nos atingindo também.
    Bjos.
    http://ashistoriasdeumabipolar.blogspot.com.br/

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    1. Oi Lu,

      Pois é, sempre bom refletirmos a nossa postura diante dos nossos preconceitos mais enraizados e impercebíveis.
      Obrigado pela visita!

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  2. Oi Vin,

    Tudo bem? Por aqui, ainda, com muito trabalho. Parabéns pelo texto! O filme desacomoda, além de relatar o processo de restruturação de olhar para vida.

    Beijos.

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    Respostas
    1. Oi Lu,

      Muito obrigado pela visita. Sem dúvidas, o filme é um olhar para a vida.

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