Mochila nas costas, pedalar





Tão apaziguador, tão simples, tão belo. O lugar era realmente esplêndido. Havia uma casa simples, mas muito aconchegante. Uma árvore para dar sombra e o chão coberto por um verde claro e pálido, mais do que vivo. Uma bicicleta de cor vermelha enfeitava o ambiente e completava fachada da casa ao relento. Os seus olhos devoravam o ambiente em milimétricos segundos, tentando apreciar a beleza da simplicidade e da paz.
Como havia andado muito de bicicleta, caindo em muitos lugares, parou ali para descansar. Encontrou o conforto por um tempo. Estava deitado, olhando para cima atrás de paz. Como nada era conhecido, recorreu aos seus pensamentos e lembranças de lugares, pessoas durante a sua jornada até aqui. Debaixo da sombra da árvore, leu um bilhete que lhe dizia coisas boas. De repente se perguntou se aquilo fazia algum sentido, e se o bilhete que ele enviara ainda existia, ou se tinha virado papel de rascunho no meio de bugigangas.
Num surto de autoanálise, sentia falta de pequenas coisas, mas a sombra da árvore o protegia. Parecia que o tempo inteiro tinha de afirmar e reafirmar as suas próprias lembranças, porque nada mais parecia tão real. Estava bem, estava engajado em outras coisas e ainda precisava voltar a pedalar. Na verdade, havia caído porque andou com muita pressa, precisava encontrar a sombra, pois a quentura do mundo, do sol, o incomodava muito.
Vendo gravetos no chão verde, encarou um deles e levantou. Havia pensando o suficiente, havia descansado o suficiente, o que ele poderia fazer agora se não continuar a caminhar? Na verdade, tinha em seu consciente a pergunta: o que mais poderia fazer? Embora isso o deixasse inquieto e preocupado, tudo que poderia fazer era pedalar e pedalar, até que a noite viesse e a quentura diminuísse. Mas há noites em que faz muito mais frio do que o esperado, o que poderá aquecê-lo? O calor irá fazer um pouco falta, e ele sentia falta de um bom cobertor. Um cobertor de tamanho único: o abraço.
A casa e o clima era apaziguador, mas precisava sair dali. E num ato de coragem, foi isso que fez. Pedalando ao passo do seu fôlego, buscando um dia agradável ao lado de pessoas agradáveis. Com uma mochila e coisas invisíveis nas costas, continuou a pedalar.


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