Amig@s de internet - Segunda versão




Quantas vezes nos deparamos com o pedido de aprovação ou rejeição, quando entramos em alguma das nossas redes sociais? Ali imaginamos e construímos uma imagem de quem está para entrar ou não na nossa vida. Fantasiamos, esnobamos, ignoramos e depois de tamanha seleção, finalmente decidimos se realmente vale à pena aceitar ou rejeitar. Uma escolha aparentemente mecanizada, mas que às vezes diz muito sobre nós mesmos.
Amigos de Internet em alguns casos são como essas bandas que surgem do nada. Surgem, estouram e depois desaparecem da mesma maneira como apareceram. Aquele (a) amigo (a) que você tanto confia, e que você passa a gostar e tê-lo (a) como alguém especial, subliminarmente some sem nem dizer o porquê.  Há casos em que a amizade vai esfriando, até chegar ao ponto em que àqueles dias, meses e anos parecem jamais ter acontecido e só há dois estranhos separados por bytes.
Tudo leva a crer que as amizades virtuais parecem ter validade, assumem caráter perecível. Por mais que talvez possa parecer o contrário, devido à euforia de conhecer e conversar com muita gente. Observe na sua lista, se um estranho não já foi amigo e terminou como estranho novamente. Sem o contato pessoal e reinvenção, não há possibilidades de mudar essa constatação.
Quem viveu a febre das redes sociais deve ter inúmeras histórias para contar. Há casos em que você tem a pessoa por um bom tempo em sua lista e ela, até então se comportava apenas como mais um. De repente, brota a amizade, uma intimidade forte e divertida, cujo destino não é possível de se prever.
Os relacionamentos da internet -- amizade, namoro, coleguismo -- assim como qualquer outro, são dinâmicos e imprevisíveis. Pode haver espontaneidade, sinceridade e consideração de um lado, mas do outro não. Evidentemente que isso não está presente somente nos relacionamentos pela internet. Na vida pessoal é a mesma coisa ou até pior.
Mas fique tranquilo, a vida sempre arruma tudo. Se alguém te faz mal, ela vai te afastar ou avisar de algum jeito em algum momento, pois este indivíduo vai apresentar mais do que sinais para tal. Vale tanto nas amizades virtuais ou nas do seu cotidiano fora das redes.
Amizades pela internet podem se tornam mais fiéis e saudáveis do que uma relação que você tem, por exemplo, com um colega. O então amigo que não se conhece pessoalmente pode ser a sua melhor companhia. Há até amizades que são como um amor fraterno de irmãos. Este amigo tampa uma brecha da solidão, assim como qualquer relação. As relações nos moldam e a forma que interagimos com elas diz muito sobre a nossa forma de ver e entender o mundo. A durabilidade dos seus relacionamentos virtuais ou não vão corresponder a essas visões que têm.  
Será mesmo que vale a pena entrar em um relacionamento onde o desconhecido se torna amável e que de repente se torna desconhecido novamente? Para aonde será que vai todo àquele sentimento, toda àquela experiência e todo àquele carinho? Será que são convertidos em bytes e jogados na lixeira, como um arquivo qualquer? Será que nunca existiram? E tudo terá de terminar mesmo com a indiferença e o ‘não te conheço mais, vou te excluir’?
É uma questão aberta e subjetiva. Você é o único dono da lixeira, mas lembre-se de que as amizades virtuais também são a prova de que as relações humanas sobrevivem até mesmo em distâncias inimagináveis. 



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